A cidade de Caldas Novas, no sul de Goiás, foi palco de um crime que chocou a comunidade local e o síndico Cléber Rosa de Oliveira foi preso.
O crime teria ocorrido após uma discussão no subsolo de um prédio onde ambos residiam. Cléber confessou o ato às autoridades, e as investigações apontam que o assassinato ocorreu em um ponto cego das câmeras de segurança do condomínio.
Desde o início das investigações, Cléber já era considerado suspeito, principalmente devido ao histórico de desavenças com Daiane. A corretora estava desaparecida desde o dia 17 de dezembro, quando desceu até o subsolo do edifício para religar a energia elétrica de seu apartamento. Foi nesse local que, segundo a polícia, ocorreu a discussão e o subsequente assassinato.
Estratégias para ocultar o crime
Após cometer o crime, Cléber adotou diversas estratégias para despistar os investigadores. Ele apresentou imagens de apenas três das dez câmeras de segurança do prédio e evitou utilizar os elevadores, optando pelas escadas para não ser filmado. Além disso, forneceu versões contraditórias sobre o trajeto percorrido de carro após o crime.
De acordo com o jornal O Popular, Cléber teria orientado um dos porteiros do prédio a afirmar que não viu nada, caso fosse questionado pela polícia. A principal linha de investigação sugere que ele transportou o corpo de Daiane em um carro até uma área de mata na cidade, onde foi encontrado posteriormente.
Envolvimento de terceiros e obstrução das investigações
O filho de Cléber, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso sob suspeita de obstrução de justiça. A perícia realizada no veículo utilizado pelo suspeito revelou que Maykon comprou um novo telefone celular para o pai logo após Cléber retornar do local onde o corpo foi encontrado. Para a polícia, esta ação configura uma tentativa de obstrução das investigações.
Até o momento, não foram encontrados vestígios no veículo analisado nem no subsolo do prédio que comprovem tecnicamente o local do homicídio. O porteiro do edifício afirmou que as câmeras de segurança estavam em funcionamento no momento dos fatos, mas não capturaram a cena do crime.
Motivação e histórico de desavenças
A motivação do homicídio é considerada torpe, estando relacionada a desentendimentos recorrentes entre Daiane e Cléber. As desavenças envolviam a administração dos apartamentos do edifício, especialmente após episódios em que a energia elétrica do imóvel de Daiane teria sido desligada. A polícia investiga se o fornecimento foi interrompido intencionalmente em mais de uma ocasião.
No dia do desaparecimento, Daiane percebeu que seu apartamento estava sem energia elétrica e desceu até o hall do prédio, onde constatou que a falta de luz atingia apenas sua unidade. Ela gravou vídeos relatando a situação e os enviou a uma amiga.
As câmeras de segurança mostram que, minutos depois, ela desceu até o subsolo, onde fica o quadro geral de energia do edifício. Após essa descida, não há mais registros de sua movimentação.
Inconsistências e investigação em andamento
A investigação também revelou inconsistências em relação ao apartamento de Daiane. No momento de seu desaparecimento, a porta do apartamento estava aberta, mas, no dia seguinte, quando familiares retornaram ao local, o imóvel já estava fechado. A polícia investiga quem teve acesso ao apartamento nesse intervalo.
O Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) assumiu o caso dias antes de o desaparecimento completar um mês e instaurou uma força-tarefa para a realização de diligências, oitivas e análises técnicas. As investigações continuam em andamento para esclarecer a dinâmica do crime, a participação de terceiros e o trajeto percorrido até o local onde o corpo foi encontrado.
Acusações anteriores contra o síndico
Cléber Rosa de Oliveira já havia sido denunciado pelo Ministério Público de Goiás pelo crime de perseguição reiterada, conhecido como stalking, contra Daiane.
A acusação incluía agressões físicas e verbais, além de monitoramento constante e perturbação das atividades da vítima ao longo de cerca de dez meses. Na época, a defesa do síndico negou as acusações.
Por fim, com a prisão de Cléber e seu filho, as autoridades esperam avançar nas investigações e trazer justiça para o caso que abalou Caldas Novas. A comunidade aguarda ansiosamente por respostas e pela conclusão do inquérito.
O filho obstruiu as investigações policiais, embora ainda não seja possível afirmar se ele participou da ocultação do cadáver ou prestou auxílio material direto.
