A fusão entre Petz e Cobasi, aprovada pelo Cade, representa uma transformação significativa no mercado pet brasileiro.
Uma nova era no mercado pet brasileiro
A união das duas gigantes formará o Grupo Petz Cobasi, que será negociado na B3 sob o código AUAU3. O fechamento oficial da operação está previsto para 2 de janeiro, com a mudança do ticker ocorrendo em 5 de janeiro. Esta fusão cria a maior rede de produtos e serviços para animais de estimação do país, prometendo aumentar a pressão competitiva no setor.
Apesar do impacto potencial dessa fusão, o mercado pet no Brasil continua altamente fragmentado. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Pets (Abempet), o varejo pet deve movimentar R$ 77 bilhões em 2025, com pequenos e médios pet shops representando 48,1% do faturamento. As clínicas e hospitais veterinários contribuem com 17,5%, enquanto as mega stores pet têm uma participação de 9,6%.
Impacto para pequenos e médios pet shops com a fusão entre Petz e Cobasi
A fusão entre Petz e Cobasi cria um gigante com faturamento combinado estimado em cerca de R$ 7 bilhões por ano, representando aproximadamente 10% de um mercado ainda muito pulverizado. Para Fabian Salum, professor de estratégia e inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), o impacto para pequenos e médios pet shops será direto, especialmente a partir de 2026 e 2027, mas não necessariamente negativo.
O principal risco recai sobre aqueles que competem exclusivamente por preço. A nova empresa terá poder de negociação, escala de compra e volumetria capazes de pressionar as margens de quem disputa produtos de giro rápido, como ração e medicamentos. No entanto, isso não significa o fim dos pequenos negócios, mas sim a necessidade de reposicionamento.
Estratégias para competir no novo cenário
Para os pequenos pet shops, a chave para sobreviver e prosperar no novo cenário competitivo é o reposicionamento. Alex Nery, professor da FIA Business School, afirma que a questão não é como competir diretamente com a Petz e Cobasi, mas sim o que cada negócio pode oferecer de diferente. O foco deve estar na geração de valor, através de um atendimento próximo, experiência personalizada, confiança e conveniência.
Os especialistas sugerem que os pet shops de bairro invistam em curadoria de produtos, apostando em itens exclusivos ou de fornecedores locais para reforçar a identidade da operação. Além disso, o uso do relacionamento e do conhecimento do cliente como vantagem competitiva é crucial. Personalizar o atendimento e fazer recomendações baseadas no histórico do pet pode ser um diferencial significativo.
Serviços e tecnologia como aliados entre Petz e Cobasi
Outra estratégia importante para os pequenos e médios pet shops é diversificar os serviços oferecidos. Banho, tosa, creche, adestramento e hotel para pets são serviços que geram recorrência e reduzem a dependência da venda de produtos. Esses serviços não apenas fidelizam os clientes, mas também criam uma experiência completa e diferenciada para os tutores de animais.
O uso da tecnologia também é um aliado poderoso. Melhorar o controle de estoque, caixa e precificação através de ferramentas tecnológicas pode evitar prejuízos e aumentar a eficiência operacional. A tecnologia permite que os pet shops se adaptem rapidamente às mudanças do mercado e ofereçam um serviço mais ágil e personalizado aos seus clientes.
A nova empresa resultante da fusão terá poder de negociação, escala de compra e volumetria capazes de pressionar as margens de quem disputa produtos de giro rápido, como ração e medicamentos.
| Segmento | Participação no faturamento |
|---|---|
| Pequenos e médios pet shops | 48,1% |
| Clínicas e hospitais veterinários | 17,5% |
| Mega stores pet | 9,6% |