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A Onda de Protestos no Irã: Um Desafio ao Regime

O Irã enfrenta uma onda de protestos antigoverno que se estende por pelo menos duas semanas, marcando o maior desafio ao regime.

O Início dos Protestos

O estopim para essa agitação foi a inflação desenfreada que atingiu o país, com os bazares de Teerã sendo os primeiros a manifestar sua insatisfação.

O aumento abrupto dos preços de produtos básicos, como óleo de cozinha e frango, gerou um descontentamento generalizado, levando a população às ruas em protestos que se espalharam rapidamente por todo o país.

Além disso, a situação econômica se agravou com a decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos a preços mais baixos. Essa medida levou lojistas a aumentar os preços e, em alguns casos, fechar suas portas, desencadeando manifestações que se tornaram fatais.

Os bazaris, tradicionalmente alinhados à República Islâmica, desempenharam um papel crucial na história política do Irã, e sua participação nos protestos é vista como uma medida drástica.

Repressão e Isolamento na onda de Onda de Protestos

Em resposta à crescente agitação, as autoridades iranianas cortaram o acesso à internet e às linhas telefônicas, isolando o país do mundo exterior. Essa foi uma tentativa de conter a disseminação dos protestos, que já haviam se espalhado por mais de 100 cidades.

A repressão foi severa, com organizações de direitos humanos relatando mais de 500 mortes e cerca de 10.600 prisões desde o início das manifestações.

A violência e a repressão não se limitaram aos manifestantes. A agência de notícias Fars, ligada ao governo, informou que 950 policiais e 60 militares da força paramilitar Basij ficaram feridos em confrontos com manifestantes, principalmente nas províncias ocidentais.

Esses confrontos foram marcados por uma escalada de violência, com manifestantes supostamente equipados com armas de fogo e granadas.

Reações Internacionais e Internas com a Onda de Protestos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso as forças de segurança continuem a responder com violência aos protestos. Em um discurso televisionado, o Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, desdenhou das ameaças de Trump, pedindo que ele focasse nos problemas de seu próprio país e acusando os EUA de incitarem os protestos.

Internamente, o governo iraniano tentou aliviar a pressão econômica oferecendo transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não foi suficiente para conter a insatisfação popular. A morte de Mahsa Amini em 2022, sob custódia da polícia religiosa, continua a ressoar entre os manifestantes, que clamam por ‘Mulher, Vida, Liberdade’ nas ruas.

A Crise Política e Econômica

A crise econômica no Irã é agravada por fatores externos, como sanções internacionais e a ameaça de conflitos com os Estados Unidos e Israel. A corrupção endêmica e a má gestão de recursos também contribuem para a insatisfação popular.

O presidente Masoud Pezeshkian, eleito em 2024, prometeu uma política externa mais pragmática e alívio econômico, mas enfrenta limitações significativas em seu poder, com Khamenei mantendo controle sobre as principais questões de Estado.

Portanto, a aliança histórica entre os bazaris e o clero, que desempenhou um papel crucial na Revolução Islâmica de 1979, parece estar se desintegrando. A perda de confiança no regime é evidente, com a população expressando sua frustração através de protestos que desafiam diretamente a autoridade de Khamenei.

Possíveis Desdobramentos com a Onda de Protestos

Especialistas acreditam que os protestos atuais podem levar a mudanças significativas no Irã. Sanam Vakil, diretora do Programa do Oriente Médio e Norte da África na Chatham House, afirmou que a legitimidade do Estado iraniano está fragmentada e que o regime pode estar próximo do fim.

Dina Esfandiary, da Bloomberg Economics, compartilha dessa visão, prevendo que a República Islâmica dificilmente sobreviverá até 2027 sem mudanças substanciais.

Enquanto isso, Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, posiciona-se como uma alternativa ao regime atual, apoiando os protestos e convocando ações coordenadas em todo o país. No entanto, a extensão do apoio monarquista entre a população iraniana permanece incerta.

Por fim, a situação no Irã continua a evoluir, com os protestos representando um momento crítico na história do país. A resposta do governo e a reação da comunidade internacional serão determinantes para o futuro do regime e para a estabilidade na região.

Esses protestos, seja qual for o resultado, sem dúvida vão prejudicar ainda mais uma legitimidade já fragmentada para um Estado que acredito estar no fim de sua vida.

WagnerWeindler:

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