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    Categorias: Saúde

Anvisa aprova medicamento inovador para Alzheimer em fase inicial

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo significativo na luta contra o Alzheimer ao aprovar um novo medicamento no Brasil.

Novo avanço no tratamento do Alzheimer

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo significativo na luta contra o Alzheimer ao aprovar um novo medicamento no Brasil. Trata-se do lecanemabe, comercializado sob o nome Leqembi, desenvolvido pelas farmacêuticas Biogen e Eisai. Este fármaco faz parte de uma nova geração de anticorpos que prometem retardar, de maneira modesta, a progressão da doença.

A aprovação do Leqembi foi oficializada no Diário Oficial da União (DOU) no final de dezembro, marcando um avanço importante para os pacientes brasileiros que enfrentam essa condição devastadora. O medicamento foi autorizado para o tratamento de adultos com comprometimento cognitivo leve e demência leve decorrentes do Alzheimer, ou seja, em sua fase inicial.

Critérios para o uso do Leqembi

Para que o Leqembi seja indicado, é necessário que o paciente apresente a formação das placas da proteína amiloide no cérebro, uma patologia associada ao Alzheimer e principal alvo do medicamento. Essa condição deve ser confirmada por meio de testes específicos.

Além disso, uma restrição importante para o uso do Leqembi é que o paciente não pode portar a mutação no gene APOE-e4. Essa mutação é conhecida por aumentar o risco de desenvolvimento do Alzheimer, mas também eleva a probabilidade de efeitos colaterais graves relacionados ao uso do medicamento.

Desafios e expectativas do Novo medicamento contra Alzheimer

Embora o Leqembi represente um avanço, sua eficácia é considerada modesta, e existem desafios significativos que podem dificultar a adesão ao tratamento. Entre eles, destacam-se o alto custo e o risco de efeitos colaterais graves. Nos Estados Unidos, por exemplo, o tratamento custa cerca de US$ 26,5 mil, o que equivale a aproximadamente R$ 142,8 mil na conversão direta.

No Brasil, o preço ainda não foi definido, pois aguarda-se a decisão da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para estabelecer o valor máximo. Outro medicamento, o Kisunla, já disponível em alguns laboratórios e hospitais brasileiros, custa cerca de R$ 24 mil por mês, ultrapassando R$ 200 mil anuais.

Acesso restrito e acompanhamento médico

De acordo com o professor Mychael Lourenço, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tanto o Leqembi quanto o Kisunla não estarão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) por enquanto, devido ao alto custo e à especificidade do tratamento. Além disso, esses medicamentos exigem indicação e administração por profissionais especializados, bem como acompanhamento rigoroso para minimizar os riscos de efeitos adversos.

Entre as reações mais comuns observadas nos estudos clínicos estão hemorragias cerebrais, problemas relacionados à infusão e dores de cabeça. Em alguns casos, foram registrados edemas no cérebro, que podem ser graves e até fatais. Portanto, a triagem clínica precisa ser feita com extremo cuidado, incluindo testes e exames de imagem para avaliar os riscos.

Avanços e esperança para o futuro do Novo medicamento contra Alzheimer

Apesar das limitações e desafios, o neurocientista Lourenço destaca que os novos medicamentos representam avanços significativos após anos sem alternativas terapêuticas inovadoras para o Alzheimer. Ele ressalta que, do ponto de vista biológico, esses fármacos mostram que a ciência está no caminho certo para desenvolver novos tratamentos.

Lourenço também enfatiza a importância de avaliar a eficácia e a segurança desses tratamentos na população brasileira, que é geneticamente mais diversa do que as populações onde a maioria dos testes clínicos foi realizada, como nos Estados Unidos e na Europa. Ele se mostra otimista com os avanços recentes e acredita que a ciência continuará a produzir medicamentos cada vez melhores e mais rapidamente.

A nova aprovação do Leqembi no Brasil é importante porque ele faz parte dessa nova classe de medicamentos para Alzheimer e já havia sido aprovado pelas agências regulatórias dos Estados Unidos e da União Europeia.

WagnerWeindler:

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