A Meta Platforms, gigante da tecnologia liderada por Mark Zuckerberg, anunciou uma reestruturação em sua divisão de hardware.
Essa movimentação estratégica inclui a demissão de mais de 1.000 funcionários, impactando cerca de 10% da força de trabalho total do setor. Além dos cortes, a empresa confirmou o fechamento de diversos estúdios de jogos dedicados à realidade virtual (VR), sinalizando uma mudança de foco drástica.
A decisão reflete um redirecionamento da Meta, que passa a priorizar o desenvolvimento de dispositivos integrados com inteligência artificial (IA) em detrimento de investimentos diretos e massivos no metaverso, um conceito que, apesar de ter batizado a companhia em 2021, não evoluiu conforme o esperado, gerando perdas financeiras consideráveis.
Reestruturação estratégica no Reality Labs
A onda de demissões em massa na divisão Reality Labs da Meta representa um marco na trajetória da empresa, evidenciando uma reavaliação de suas prioridades de investimento. Os mais de mil funcionários impactados fazem parte de um esforço de otimização que visa realinhar os recursos da companhia com suas novas metas estratégicas.
A decisão foi comunicada internamente pelo chefe de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, e revelada por fontes que tiveram acesso ao memorando interno.
O impacto das demissões e a nova direção da Meta Platforms
O corte de aproximadamente 10% da força de trabalho do Reality Labs, que contava com cerca de 15 mil colaboradores, sublinha a magnitude da reestruturação.
Este movimento está intrinsecamente ligado a uma mudança fundamental na estratégia da Meta: a migração de um pesado investimento em hardware de realidade virtual e no desenvolvimento do metaverso para um foco mais acentuado na integração de inteligência artificial em seus dispositivos.
O memorando interno aponta para uma concentração de esforços em tecnologias como os óculos inteligentes Ray-Ban Meta, que combinam funcionalidades de IA, realidade aumentada e conectividade social.
Essa transição reflete uma busca por aplicações de IA mais tangíveis e com potencial de mercado imediato, distanciando-se do complexo e custoso caminho da construção do metaverso, que ainda enfrenta desafios significativos de adoção e viabilidade técnica.
O adeus aos estúdios de desenvolvimento de VR
A reestruturação não se limitou apenas aos cortes de pessoal, mas também impactou diretamente a produção de conteúdo “first-party” – jogos e aplicativos desenvolvidos internamente para os headsets Quest.
A Meta decidiu encerrar as operações de vários estúdios de games que havia adquirido nos últimos anos, marcando o fim de uma era de investimento direto na criação de conteúdo exclusivo para a plataforma de realidade virtual.
Foco em parcerias e o futuro dos jogos na Meta plataforms
Entre as desenvolvedoras que tiveram suas atividades encerradas, destacam-se nomes notáveis na indústria de VR:
Armature Studio: Reconhecida pela aclamada versão em realidade virtual de Resident Evil 4.
Sanzaru Games: Responsável por títulos de sucesso como Asgard’s Wrath e Marvel Powers United.
Twisted Pixel: Criadora de jogos como Deadpool VR e Defector.
Além desses fechamentos, o estúdio responsável pelo popular aplicativo Supernatural VR Fitness será “congelado”. Embora a equipe remanescente continue a dar suporte ao produto existente, a criação de novos conteúdos e recursos foi interrompida, indicando uma pausa no desenvolvimento futuro.
As razões por trás da mudança e o peso financeiro
A decisão de reestruturar o Reality Labs e realocar investimentos não é aleatória; ela decorre de uma série de fatores, sendo o principal deles o oneroso desempenho financeiro da divisão de metaverso. Relatórios financeiros apontam que o Reality Labs acumulou um prejuízo de aproximadamente US$ 70 bilhões (cerca de R$ 371 bilhões, na cotação atual) ao longo dos anos, um valor exorbitante que se tornou insustentável diante do lento progresso na adoção e monetização do metaverso.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, já havia sinalizado sua intenção de reduzir o orçamento do grupo de metaverso para 2026, citando abertamente a “falta de evolução do mercado” como um fator determinante.
A visão ambiciosa de um universo digital interconectado, embora futurista, mostrou-se desafiadora de materializar em larga escala e com retorno financeiro em curto e médio prazo. As dificuldades técnicas, a necessidade de hardware caro e a falta de uma killer app que impulsionasse a adoção maciça contribuíram para o cenário atual.
Acompanhe as próximas notícias sobre as estratégias da Meta e o impacto da inteligência artificial no cenário tecnológico.
