A Polícia Civil de SP está investigando depósitos em dinheiro que somam R$ 1,5 milhão na conta do presidente do São Paulo, Julio Casares.
Investigação em Curso
A Polícia Civil de São Paulo está investigando depósitos em dinheiro que somam R$ 1,5 milhão na conta do presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares. Esses depósitos ocorreram entre janeiro de 2023 e maio de 2025 e foram identificados como a maior fonte de renda do dirigente no período, representando 47% de sua receita total.
Além disso, os relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que os depósitos foram feitos de forma fracionada, uma prática conhecida como ‘smurfing’, que visa evitar a detecção por órgãos de controle financeiro. Em um único dia, foram registrados até 12 depósitos, com valores próximos ao limite de R$ 50 mil, acima do qual o Coaf é automaticamente notificado.
Justificativas e Defesa de Julio Casares
Casares justificou os depósitos ao seu banco como ‘recursos recebidos em espécie do SPFC referente bonificação dos campeonatos’. No entanto, a investigação continua a apurar a origem desses valores. Procurado pela reportagem, Casares, por meio de seus advogados, afirmou que todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e compatível com sua capacidade financeira.
Os advogados de Casares, Daniel Bialski e Bruno Borragine, destacaram que antes de assumir a presidência do clube, Casares atuou em cargos de alta direção na iniciativa privada, onde recebia boa remuneração. Eles garantem que a origem dos depósitos será esclarecida no decorrer das investigações, com a apresentação de provas e declarações fiscais.
Movimentações Atípicas e Alerta do Banco
A investigação está dividida em três períodos consecutivos, todos com movimentações financeiras consideradas atípicas. No primeiro período, de janeiro de 2023 a março de 2024, Casares teria recebido R$ 1,1 milhão, com R$ 476 mil em dinheiro vivo, distribuídos em 17 transações em agências e 62 em caixas eletrônicos.
Além disso, no segundo período, de março a outubro de 2024, foram identificados R$ 600 mil em depósitos, representando 53,5% da renda de Casares no período. Esses depósitos foram feitos em 24 transações em guichês de caixa e 12 em caixas eletrônicos. No terceiro período, de outubro de 2024 a maio de 2025, os relatórios apontam R$ 415 mil em depósitos.
O próprio banco de Casares emitiu um alerta ao Coaf em 2023, destacando que as operações na conta do dirigente estavam fora do padrão.
Relação com o São Paulo Futebol Clube
Além dos depósitos na conta de Casares, a investigação também analisa saques realizados diretamente do São Paulo Futebol Clube. Entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, foram sacados R$ 11 milhões em espécie, divididos em 35 saques. Até o momento, não há evidências de que esses saques estejam relacionados aos depósitos na conta de Casares.
O São Paulo Futebol Clube declarou que apresentará a contabilidade completa dos R$ 11 milhões e que está à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários. O clube também afirmou que agirá de acordo com a lei e qualquer determinação judicial.
Implicações Pessoais e Familiares para Julio Casares
Os documentos do Coaf também revelam que a conta de Casares foi utilizada para pagar despesas de sua ex-mulher, Mara Casares, que é diretora licenciada do São Paulo. Foram pagos 104 boletos bancários emitidos em nome de Mara, que está sendo investigada por supostamente se beneficiar de um esquema de venda de camarotes clandestinos no clube.
Além disso, nos 29 meses analisados, Casares teve uma renda de aproximadamente R$ 3,2 milhões, dos quais R$ 2,6 milhões excedem seu salário no período. A maior parte desse valor, R$ 1,5 milhão, é composta pelos depósitos fracionados em dinheiro.
Acompanhamento Legal
Para se defender das acusações, Casares contratou o advogado criminalista Daniel Bialski. O São Paulo Futebol Clube também designou o escritório Iokoi Advogados para acompanhar o caso. Este escritório já representou o clube em 2019, em outra acusação envolvendo dirigentes.
Portanto, naquela ocasião, ex-dirigentes do clube foram acusados de desvio de dinheiro e lavagem de capitais. O clube, na época, se recusou a atuar como assistente de acusação, afirmando que os pagamentos realizados estavam dentro da legalidade.
Todas as movimentações financeiras de Julio contidas nos relatórios do Coaf possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
| Período | Depósitos em Dinheiro | Transações em Agências | Transações em Caixas Eletrônicos |
|---|---|---|---|
| Jan 2023 – Mar 2024 | R$ 476 mil | 17 | 62 |
| Mar 2024 – Out 2024 | R$ 600 mil | 24 | 12 |
| Out 2024 – Mai 2025 | R$ 415 mil | – | – |