O empresário Sérgio Nahas, de 61 anos, foi detido no último sábado na Praia do Forte, localizada no município de Mata de São João, na Bahia.
Captura e Prisão do Empresário Sérgio Nahas
O empresário Sérgio Nahas, de 61 anos, foi detido no último sábado na Praia do Forte, localizada no município de Mata de São João, na Bahia. A prisão ocorreu após Nahas ser identificado por câmeras de monitoramento, conforme informações divulgadas pela Polícia Militar do estado. A captura de Nahas encerra uma busca que já durava 23 anos, desde que ele foi condenado pelo assassinato de sua esposa, Fernanda Orfali, em 2002.
Após a prisão, Nahas foi submetido a uma audiência de custódia e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional, onde deverá cumprir a pena que lhe foi imposta. O caso, que chocou a sociedade na época, volta a ganhar destaque com a captura do empresário, que estava foragido da justiça.
Histórico do Caso e Aumento da Pena
O crime ocorreu em 14 de setembro de 2002, no apartamento do casal em Higienópolis, São Paulo. Na ocasião, Fernanda Orfali foi encontrada morta, e Nahas alegou que a esposa teria se trancado em um armário com uma arma e disparado contra a porta, antes de cometer suicídio. No entanto, a versão apresentada por Nahas foi contestada por testemunhas e pela perícia policial.
Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou Nahas a sete anos de prisão em regime semiaberto. Insatisfeito com a sentença, o empresário recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), permanecendo em liberdade enquanto aguardava o julgamento. Em maio de 2025, a segunda turma do STF decidiu aumentar a pena de Nahas para oito anos e dois meses em regime fechado, atendendo a um pedido do Ministério Público de São Paulo.
Controvérsias e Recursos Legais
A defesa de Nahas, liderada pela advogada Adriana Machado e Abreu, sempre sustentou a inocência do empresário, afirmando que a condenação era injusta. Durante o processo, a defesa tentou diversos recursos para reverter a sentença, incluindo alegações de que a perícia não encontrou vestígios de pólvora nas mãos de Fernanda, o que indicaria que ela não teria disparado a arma.
O promotor Roberto Tardelli, que atuou no caso, apresentou evidências que contradiziam a versão de Nahas, incluindo o fato de que o tiro que matou Fernanda foi disparado de uma distância superior a 50 centímetros. Além disso, testemunhas relataram que o barulho do arrombamento do armário ocorreu antes dos disparos, o que levantou suspeitas sobre a versão de suicídio apresentada pelo empresário.
Desdobramentos Judiciais e Decisões do STF no caso do Empresário Sérgio Nahas
O julgamento de Sérgio Nahas foi adiado várias vezes ao longo dos anos. Em 2018, o ministro Celso de Mello, do STF, suspendeu uma sessão do júri popular após a defesa alegar que o recurso do Ministério Público foi apresentado fora do prazo legal. No entanto, em 2024, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um recurso em habeas corpus interposto por Nahas, afirmando que a questão já havia sido apreciada anteriormente.
Finalmente, no julgamento realizado pelo STF, a segunda turma, composta pelos ministros Dias Toffoli, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Nunes Marques e André Mendonça, votou de forma unânime para negar o agravo regimental apresentado pela defesa. Com isso, a condenação de Nahas foi mantida e sua pena aumentada, encerrando um longo capítulo de disputas judiciais.
Mas há testemunhas que afirmam que o barulho do arrombamento ocorreu antes dos tiros. E, segundo o laudo da perícia policial, o tiro que a matou foi dado de uma distância superior a 50 centímetros.