Em 2017, o ministro do STF, Dias Toffoli, recebeu o título de cidadão honorário da Câmara Municipal de Ribeirão Claro,na cidade no Paraná.
Homenagem em Ribeirão Claro
Este local abriga o Tayayá Resort, um empreendimento que, na época, tinha entre seus acionistas os irmãos e um primo de Toffoli. A homenagem destacava a “constante atenção” do ministro com o município, destacando seu papel no desenvolvimento e incremento turístico da região. Além disso, o decreto que concedeu o título elogiava a “atuação exemplar” de Toffoli na manutenção da 23ª Zona Eleitoral de Ribeirão Claro.
Dois anos após a homenagem, em 2019, Toffoli retornou à cidade para inaugurar o Fórum Eleitoral Luiz Toffoli, nomeado em homenagem a seu pai.
A inauguração, que ocorreu em 20 de dezembro de 2019, contou com a presença do ministro, que viajou de Brasília a Ourinhos, São Paulo, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Ourinhos fica a menos de 40 km de Ribeirão Claro, facilitando o deslocamento de Toffoli para a cerimônia.
Investigações e Controvérsias sobre Dias Toffoli
O nome de Toffoli voltou ao centro das atenções devido a investigações envolvendo o Banco Master, cujo presidente, Daniel Vorcaro, foi preso sob suspeita de fraudes financeiras.
Toffoli é o relator do caso no STF, e as investigações revelaram que um fundo de investimento ligado ao banco realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para adquirir ações do Tayayá Resort. A Receita Federal apontou que a Maridt Participações S.A, pertencente aos irmãos de Toffoli, já esteve entre os sócios do resort.
O fundo responsável pelo investimento é o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, administrado pela Reag, uma empresa citada na operação Carbono Oculto por suspeitas de ligação com esquemas de lavagem de dinheiro para o PCC. A Reag, no entanto, não comentou o caso quando procurada pela CNN.
A defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer envolvimento com fraudes e afirma que o banco não é gestor ou cotista dos fundos mencionados, confiando que as investigações esclarecerão os fatos.
Mudanças no Quadro Societário do Resort
Em setembro de 2025, o advogado goiano Paulo Humberto Costa, conhecido por atuar para a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, adquiriu a participação dos irmãos e do primo de Toffoli no Tayayá Resort. As transações para a transferência de titularidade começaram em dezembro de 2024 e foram concluídas em setembro de 2025, removendo a família de Toffoli do quadro de sócios do empreendimento.
Essas mudanças ocorreram em meio a uma série de eventos que colocaram Toffoli sob escrutínio, especialmente devido à sua condução das investigações relacionadas ao Banco Master. A viagem de Toffoli para a Final da Libertadores no Peru, no mesmo jatinho que um dos advogados do caso do banco, também gerou polêmica.
Decisões Judiciais e Repercussões de Dias Toffoli
Em janeiro de 2026, Toffoli tomou uma decisão controversa ao determinar que todos os bens, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos pela Polícia Federal na operação fossem lacrados e enviados diretamente para a sede do Supremo Tribunal Federal. Normalmente, as provas obtidas em operações ficam sob a custódia da Polícia Federal, e essa decisão gerou uma forte reação.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, formalizou um pedido para que Toffoli reconsiderasse sua decisão. O ministro acabou recuando e aceitou o pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) para que o material fosse enviado ao órgão. Posteriormente, Toffoli autorizou a Polícia Federal a acessar os documentos, mas designou peritos da corporação para acompanhar a perícia do material apreendido.
Críticas e Respostas
A condução do caso pelo ministro Toffoli gerou críticas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente sobre a centralização das provas no tribunal e o sigilo imposto às investigações. Apesar das críticas, Toffoli afirmou que não pretende declarar conflito de interesse e descartou a possibilidade de deixar a relatoria do caso.
Essas decisões e a conexão com o resort anteriormente ligado à sua família colocaram Toffoli sob um holofote de escrutínio público. A falta de resposta do gabinete do ministro à CNN sobre o episódio apenas aumentou as especulações e questionamentos sobre a imparcialidade e transparência nas investigações conduzidas por ele.
A condução do caso pelo ministro Toffoli gerou críticas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente sobre a centralização das provas no tribunal e o sigilo imposto às investigações.
